Tecnologia do Blogger.

Mulher não pode ter passado!

Em uma viagem entre amigos, entramos numa conversa a respeito de ciúmes. Conversando com a outra garota, pude chegar na conclusão que eu menos gostaria: nossa geração tem a mesma mentalidade de séculos passados! Percebi que ela havia ouvido coisas que eu também já havia ouvido, e isso faz a gente cansar da sociedade.
No final das contas, vimos que alguns rapazes têm ideias retrógradas em que as mulheres são impedidas de terem um passado. Isso é bem curioso, porque existem alguns pontos de vistas divergentes a esse respeito.
Alguns homens acham ofensivo estarem namorando mulheres que têm passado amoroso e sexual, acham que se relacionar com uma mulher virgem é mais digno do que com uma mulher com certa experiência (mas no final das contas, entre quatro paredes, sabemos que essa preferência se inverte né...). 
É interessante refletir sobre o que pode gerar esse tipo de mentalidade a respeito da sexualidade feminina e nossas experiências passadas. Ao meu ver, isso só remete à ideia de propriedade que os homens insistem em ter a nosso respeito. Talvez eles não o façam conscientemente, mas mesmo assim reproduzem essas ideias pois foram criados com elas e certamente as repassam também. Saber que o "território" em que estão já foi "descoberto e explorado" por outro homem, causa certa estranheza e ciúmes. Mas se alguma mulher sair por aí falando que homem para casar tem que ser virgem e que homem que não é virgem não presta, com certeza vão olhar para ela e tentar justificar isso com alguma frase machista do tipo "homem tem suas necessidades".
Ai entramos nas discordâncias e incoerências dos homens. Eles querem encontrar mulheres virgens, mas também boas de cama e ao mesmo tempo não se mantiveram virgens e não vêm problema nisso (atitude de idiota, sim ou claro?).
Certa vez, vi na internet uma boa explicação para o conceito de virgindade. Lá, dizia que a virgindade foi um conceito desenvolvido por homens tão egocêntricos que achavam que seus pênis eram incríveis o bastante para mudar a vida de uma mulher para sempre.
Não sei com relação a você que está lendo, mas a pessoa que eu era no meu último dia de virgindade era exatamente igual a pessoa que eu era no dia seguinte. Uma mulher virgem, uma que teve um parceiro ou outra que teve cem parceiros são exatamente iguais e têm exatamente o mesmo valor.
Um homem  que se importa com a quantidade de caras com que uma mulher se relacionou só prova ser extremamente inseguro com relação a sua performance sexual e tem medo de ser comparado de forma negativa no subconsciente da mulher.
Para um homem seguro, estar com uma mulher experiente não é um problema. Muito pelo contrário. Gostaria de informar aos homens leitores que uma mulher experiente só está com você porque ela gosta de você e não porque está insegura. Já fui virgem e sei as coisas curiosidades e expectativas que passam pela cabeça de qualquer um. Se você acha que tirar a virgindade de uma mulher é grande coisa, queria te informar que seu pênis não é esse troféu todo que você está achando e que um hímen não difere mulher boa de mulher ruim. E mais, você só quer tirar a virgindade dessa mulher porque prefere uma mulher insegura que nunca experienciou nada além de você do que uma mulher que te compare e decida "eu realmente quero ficar com ele".

Curtam no Face fb.com/diariosemhipocrisia
Curta no botão abaixo.

A Imagem da Mulher e Orange is the New Black

ATENÇÃO! Pode conter Spoiler.
Bem, é um pouco contraditória a imagem das mulheres perante os conservadores ao longo dos anos. Primeiramente, a mulher é demonizada e culpada pelas desgraças do mundo como Eva (“que comeu o fruto proibido”) e Lilith (chamada de “demônio” e acusada de ser a “serpente” que oferece o fruto à Eva), na cultura cristã.
Em outras culturas, mulheres ocupam posição de deusas. São as responsáveis pela fertilidade do solo, pela abundância das colheitas, reprodução, pela sabedoria, lutas, organização de animais e até a própria origem do mundo.
Aparentemente, hoje vivemos uma certa mistura de imagens. Sempre que alguma questão familiar dá errada a culpa é da mãe, bem como questões amorosas e até mesmo agressões. Quando uma mulher é traída a culpa é dela "que não soube escolher ou ainda segurar o marido", quando a mulher trai a culpa é dela, quando a mulher apanha a culpa é dela "que deve ter dado motivo", quando é estuprada a culpa é dela que "não se deu ao valor", quando a filha é estuprada pelo padrasto a culpa é da mãe que se "juntou com qualquer um", quando o pai agride os filhos a culpa é da mãe "que não estava por perto", quando a mulher engravida ou aborta a culpa também é só dela "que devia ter fechado as pernas".
Existe uma imagem de “incompetência” que insistem em atribuir à mulher. Sempre que algum desses fatos acima acontece, a culpa é da mulher porque esta é incompetente. Mas quando o inverso dessas situações ocorre, não é atribuída a imagem de competência e vitória, é apenas “nada mais que a obrigação” e ninguém comenta. Ressalta-se sempre a "INCOMPETÊNCIA".
Não somente nessas situações alarmantes, mas a incompetência nos é atribuída no dia-a-dia. Quando você tem que trocar uma lâmpada, desmontar algum móvel, pintar uma parede ou trocar uma tomada e as pessoas perguntam “seu namorado/marido não faz isso?”, ou ainda quando associam o gênero à forma como a pessoa dirige, bem como quando dizem que tal profissão é “profissão de homem” (o que acontece não só com profissões que exijam força, mas com profissões de exatas).
Estive reparando na forma como mulheres são diferentemente tratadas com relação à violência. Policiais na rua não costumam me enxergar como uma ameaça, mas olham diferente para o meu namorado que além de ser homem é pardo (fator que influencia no julgamento dos policiais). Na balada, muitas vezes, revistam a fila de homens enquanto a fila de mulheres passa tranquilamente. Cheguei a uma pergunta: por que acham que eu não sou uma ameaça? Aderi a minha hipótese até que encontre uma melhor, mais uma vez não me julgam capaz.
Quando estou na rua sozinha e vejo uma mulher, fico muito mais tranqüila do que quando vejo um homem. Óbvio. Existe uma diferença entre a minha força e a de um homem, mas caso precise me defender de outra mulher, isso se torna mais viável. Sem contar que uma mulher muito dificilmente vai querer abusar sexualmente de mim. Abri esse parêntesis para explicar que são situações diferentes de quando passo pela polícia ou pelo segurança da balada como se eu fosse simplesmente incapaz de carregar uma arma ou assaltar um banco, incapaz de amedrontar.
Bom, há algum tempo terminei de assistir os episódios disponíveis de Orange is the New Black no Netflix. Vi na internet que algumas pessoas criticam a série e até mesmo criaram uma página no Facebook boicotando a série , dizendo que era mal exemplo e blá blá blá.
Por que odiar a série? – me perguntei.
O que eu vejo em OITNB são mulheres acima de tudo fortes. Mulheres que desempenharam os papéis de vilãs tão bem quanto homens e se tornaram criminosas tão perigosas quanto eles. Vi também que a série mostra mulheres se satisfazendo sozinhas, se amando sozinhas e sentindo prazer entre si. Talvez não seja fácil para o ego de um homem aceitar que seu pênis não é o centro do universo feminino (risos). Vi na série mulheres que brigam e se matam com a ira e a força “de um homem” e que não se intimidam por serem do “sexo frágil”. Também vi sororidade entre as mulheres, o carinho e o cuidado de irmãs, mães e filhas. Também conta com a participação de uma mulher trans, que claramente incomoda conversadores. A série também expõe homens abusando de seus poderes, sendo babacas nojetos, bem como corruptos. E a chave da série, que deve incomodar muito homem, são mulheres enfrentando homens.

Ao meu ver, a série é sobre empoderamento feminino. Mulheres que são fortes o bastante para serem criminosas e enfrentarem homens, sem serem demônios por isso. São apenas mulheres reais, e mulheres reais são incrivelmente independentes, competentes e fortes.
 
A personagem trans do seriado contraria os padrões sobre sexualidade e confronta o conservadorismo religioso e preconceituoso. Aliás, para os homens que se consideram tão incríveis e importantes por sua masculinidade, ver um outro homem abrir mão desse "título" para tornar-se mulher, deve ser um "desrespeito" ao sexo masculino. "Onde já se viu deixar de ser um homem para tornar-se esse ser inferior que são as mulheres?" (risos).

Red e Gloria são as "mães" da cadeia. Cuidam das brancas e latinas, visto que a cadeira é relativamente segregada entre etnias. Símbolos de sororidade e força, enfrentam homens e mulheres em suas lutas diárias na cadeia.


Vee se passa por mãe das negras mas, em alguns episódios, mostra que nem toda mulher é boazinha e que seus interesses estão acima de tudo e de todos e ela está disposta a tirar qualquer um de seu caminho. 

Rosa, a latina que roubava bancos e que terminou sua vida lutando não só com a vida na cadeia, mas também com o câncer. Exemplo claro de força física e psicológica, bem como de coragem e independência.

Cena em que Gloria e Vee se enfrentam. Mulheres também sabem brigar quando é preciso. Na cadeia, é preciso saber se impor, e (para a surpresa de alguns homens) mulheres sabem se defender.


Sororidade! Mulheres que se unem e se cuidam como numa família. Uma das maiores ameaças a um homem é ver mulheres unidas, mulheres se apoiando, mulheres se amando. 

Mulheres que se satisfazem. Piper e Alex (ex namoradas) se reencontram na prisão. As duas são a prova de que nem para sentir prazer os homens são realmente necessários. 

O Bigode, policial corrupto que adora coagir as detentas a fazerem o que ele quer. Intimida e abusa de seus poderes para se aproveitar das mulheres. Uma pequena amostra dos abusos que mulheres sofrem diariamente com os homens.

Piper, na solitária, afrontando o diretor da cadeia. O diretor claramente homofóbico, se posiciona rigidamente contra o lesbianismo na cadeia se sentindo no direito de punir as detentas por suas posições sexuais. Mas pera ai, onde já se viu uma mulher gritando com um homem? Que absurdo! (risos).

Enfim, a série é muito mais do que mencionei, com certeza. Vale bastante a pena assistir.

Curtam no Face fb.com/diariosemhipocrisia
Curta no botão abaixo.


Feminismo x Feminismo

Bom, o assunto que me leva a escrever hoje é algo delicado e bem polêmico. Espero que eu não seja mal interpretada e que eu escolha as palavras certas para me expressar.
Pois bem, sabemos que o feminismo possui vertentes que são geradas por diferenças nos pontos de vistas das próprias feministas (nós) e que não há problema nenhum nisso, visto que somos unidas por uma semelhança maior que seria uma espécie de "inimigo em comum".
Outra coisa que sabemos muito bem (e não é de agora) é que racismo infelizmente ainda existe em nossa sociedade, o que gera sempre uma visibilidade diferente entre negros e brancos. Não importa o campo a ser observado, negros recebem atenção e significância diferentes de brancos. Quando começamos a analisar as sutilezas dos preconceitos culturais enraizados em nossa sociedade, considero natural que as feministas não reparem apenas no tratamento desigual com mulheres, mas também no tratamento desigual com as demais minorias, inclusive os negros.
Ainda recentemente, estive conversando com meu namorado (pardo) sobre os preconceitos que sofrem os negros e os preconceitos que sofrem as mulheres, e no final, bem como era de se esperar, ele disse "nossa, imagina como a mulher negra sofre!". Pois é, é inegável que a mulher negra está sob duas cargas pesadas de preconceito e isso torna sua luta por visibilidade muito mais árdua. 
Na última postagem, disse que o ENEM que foi tão importante para nós por levar visibilidade ao problema da violência contra a mulher e era esse tipo de espaço que precisávamos para consolidar mais e mais a nossa luta, recebendo credibilidade e suporte contra aqueles que insistem em satirizar nossos argumentos.
Recentemente, estive vendo páginas feministas no facebook e li um texto que falava sobre o "feminismo branco" e usava os termos "feminismo da Jout Jout" e "feminismo da Emma Watson". Eu li aquele texto e não pude discordar de nada, porque era muito plausível. Feministas brancas, ainda que sofrendo por nadarem contra a maré, têm mais oportunidade de ter voz ativa do que feministas negras. Isso é um triste fato. 
Sou branca e não posso fingir entender o que se passa na vida de uma mulher negra (esteja claro). Entendo que, por vezes, a alta popularidade de alguma ação feminista da parte de uma branca acaba criando a falsa impressão de que o feminismo está indo bem, quando na verdade não está. É evidente que negras precisam ter mais voz e representatividade, visto que são mais afetadas que as brancas. Mas por quê isso não acontece? Será que Emma Watson, por ser feminista branca é o problema que impede feministas negras de conquistarem espaço? Eu não acho que seja isso. Emma foi chamada para representar a luta das mulheres e se ela dissesse "não, obrigada", convidariam outra mulher branca para representar, até que achassem alguma que aceitasse.  E o problema é a Emma? Eu realmente não acredito nisso.
Para fechar a ideia, eu tenho sentido que muitas vezes o uso dos termos "feminismo da fulana" gera uma ideia errada de como se o "feminismo branco" fosse inimigo do "feminismo negro". Embora eu entenda perfeitamente a intenção dos termos, eu receio que isso passe a criar uma rivalidade maior entre brancas e negras. Mulheres devem acima de tudo, se apoiar e ajudar. É claro que a conscientização sobre as diferentes realidades é muito importante, só acredito que deve-se tomar cuidado para não mudar o foco sobre quem é o verdadeiro inimigo do feminismo!

Por que o ENEM foi tão importante para o feminismo?

Hoje, depois de tanto tempo sem por meus dedos no teclado, escrevo muito contente!

Recentemente, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) nos surpreendeu positivamente com um tema maravilhoso de redação. O tema abordado foi “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”.
Obviamente, muitas pessoas não reagiram tão bem e até mesmo não gostaram do tema. Muitos criticaram o assunto dizendo que  não era importante ou desmerecendo as comemorações de nós feministas. 
WHATTHEFUCK? Numa sociedade que nos violenta diariamente como se fosse algo natural, um tema que discuta essa situação é a prova de uma verdadeira revolução. Enquanto naturalizam nosso sofrimento, mulheres não têm liberdade para escolher suas roupas, não têm liberdade para sair a noite em segurança, não têm liberdade para viver suas vidas sexuais sem serem julgadas por isso. 
Mulheres não pararam de ouvir que não são boas para dirigir, ou que exatas e outras carreiras são coisas de homem. Quando uma mulher é violentada, procuram justificativa na roupa que a vitima usava, ou no horário da noite que era. Enquanto nossas famílias acham bonito o filho sair com várias meninas, criticam e apedrejam se a filha fizer o mesmo. Quando empresas continuam colocando distinção entre o que é um cargo para homem e mulher. Quando mulheres são constantemente acusadas de serem interesseiras e escolherem homens com base no dinheiro. Quando ainda nos é proibido o direito ao controle de nossos corpos por decisões políticas, tomadas por homens "religiosos", e pior ainda, proíbem a venda de pílula do dia seguinte! Numa sociedade que ainda me diz que tenho que ter filhos e cuidar da minha família, me ditando regras de 'como ser mulher'. Quando ainda ouço que por ser mulher, não deveria sair da casa dos meus pais para estudar em outra cidade. Numa cultura que culpa a mãe por todos os erros de seus filhos, inocentando o pai das crianças. Numa sociedade que critica e julga o aborto feito por uma mulher, mas faz vistas grossas para os trágicos números de abortos feitos por pais, que desde a história da humanidade abandonam seus filhos ainda no ventre de suas mães. Onde mulheres apanham e morrem. São estupradas, traumatizadas e morrem. Num país em que a vida das mulheres vale tão pouco, tratar de um assunto que nos proteja sob o respaldo dos Direitos Humanos, é uma evolução.
Uma famosa frase diz que "feminismo é a ideia radical de que mulheres também são pessoas". O ENEM mostrou nos enxergar como seres humanos e nos proteger como seres humanos. Milhares de jovens e adultos pensaram ao mesmo tempo sobre nossos direitos, pensaram por alguns minutos que também somos pessoas! 
Sinceramente, sei que apenas o ENEM não transforma as tantas mentes machistas que estavam fazendo a prova naquele momento, mas é a conquista da visibilidade que emocionou todas nós. Foi a conquista do espaço, da notoriedade e da importância que recebemos naqueles nossos 15 minutos de humanização que comoveu e fez com que as redes sociais vibrassem como vibraram. 
Quem é feminista sabe o que ouvimos e aguentamos de pessoas que nem sequer sabem a razão de ser do feminismo, ou que simplesmente acreditam na nossa inferioridade. Quantas ofensas e coisas terríveis ouvimos por incomodar o sistema criado por homens que não aceitam ser contrariados por "seres inferiores"! Todos os gritos de vitória deste ENEM não foram desnecessários, muito pelo contrário, comemoramos pouco se comparado a quantidade de besteiras que já fomos obrigadas a ouvir.
Surpreendente como em tempos de constante perda de direitos, por exemplo a revoltante questão da pílula do dia seguinte, conseguimos ser tratadas com um pouco de importância. Obrigada Ministério da Educação, INEP e todos que tiveram envolvimento nisso. Obrigada por dizerem que não merecemos ser violentadas! 

Curtam no Face fb.com/diariosemhipocrisia

Curta no botão abaixo.


O sexo não é para a mulher!

O sexo não é para a mulher!


É engraçado me perguntar (sendo mulher) quando foi que me senti confortável perante as outras pessoas (até mesmo amigos ou familiares) para falar sobre minha sexualidade.
Desde jovens, os rapazes têm, em geral, um espaço já conquistado para falar sobre masturbação, vídeo pornô, sexo e etc. Já as “mocinhas” crescem, geralmente, sendo afastadas de assuntos dessa natureza. De uma forma até mesmo sutil, somos levadas a achar feio e nojento o ato de se tocar por prazer, assistir ou ouvir falar de sexo.
Desde pequenas ouvimos os adultos associarem sexo a casamento e assistimos nossos pais fazerem careta ao imaginar que um dia perderemos a virgindade. Não recebemos parabéns ao dar o primeiro beijo, muito menos ao transarmos pela primeira vez. Em muitos casos, é mais provável que a garota leve uma bronca do que seja recebida com carinho por iniciar uma fase diferente em sua vida. Por outro lado, os garotos recebem sorrisos e piadas que os fazem sentir verdadeiros garanhões e predadores.
A cultura que nos nega o ato natural de transar nos retrai de tal maneira que faz com que várias de nós neguem a si mesmas o direito de sentir prazer. Sem sequer entrar em quesito religioso sobre pecado e afins, o peso dos julgamentos a nossa volta, dos olhares de dominação sobre o que devemos ou não fazer com nossos corpos e da vergonha social que nos foi imposta, tudo isso, acaba fazendo com que várias garotas construam um muro que as proteja do termo SEXO.
O problema dessa proteção descabida é maior do que aparenta. Ao deixar de se conhecer e experimentar essas sensações, as jovens perdem a chance de poder escolher o que querem, saberem do que gostam, como gostam e se realmente gostam. Impor um único homem que as toque (o marido) é roubar a chance dessas mulheres de conhecer seus prazeres plenamente e escolher um homem que realmente a satisfaça. Além disso, é roubar momentos de prazer que essas mulheres poderiam ter vivido se não negassem a si mesmas o direito de tê-lo.
O muro que foi construído para preservar sua “pureza” termina ainda por machucar as jovens que acabam tendo de ser convencidas a transar. A virgindade se tornou algo tão precioso dentro de suas convicções que ao “perdê-la”, a garota realmente está convencida de que perdeu alguma coisa. E mais, ela está convencida de que sua maior preciosidade agora é o homem a quem “deu” sua pureza. Toda essa mistificação sobre sexo leva diversas jovens a criarem uma forte relação de dependência com seus “parceiros”, levando muitas delas a depressão quando há um término. Ou ainda, faz com que muitas delas aceitem viver em condições hostis, com parceiros que não as respeitam ou até mesmo violentam.
O sexo sempre foi negado às mulheres. O sexo sempre foi um monstro horrível, e as mulheres que faziam precisavam esconder, enquanto as que não faziam tinham que sufocar seus desejos.
E quando as mulheres finalmente superam o tabu de perder a virgindade e experimentar os prazeres de seu corpo, eis que nos negam novamente o direito ao sexo. Àquelas que demonstram gostar do ato, que tomam a iniciativa ou que mostram seus corpos é dado o nome de “puta”. Afinal de contas, o sexo é feito PARA O PRAZER DO HOMEM e é ele quem deve querer e gostar.
A nudez feminina, também grande pecado, faz com que muitas de nós tenhamos vergonha de nossa genitália. Piadas machistas que desvalorizam nossa vagina mencionando o odor típico, sua forma e outras características fazem com que haja mais vergonha ainda em usar de nossa sexualidade. As cobranças estéticas feitas sobre a depilação feminina e os padrões de beleza sujeitam as mulheres novamente à vergonha do corpo, e impõe mais dificuldades (psicológicas) para que possamos nos apropriar do sexo, do prazer e da liberdade.
Não só nos é negado como também controlado, afinal o sexo não pertence à mulher. Quando uma de nós nega fazer oral em um homem por nojo, é tida como fresca, enquanto quase metade dos homens heteros tem nojo de fazer oral em mulheres. (Link da matéria a respeito) Ainda, se uma mulher demonstrar gostar da coisa, será tida como uma safada qualquer. Mulher não pode gostar de sexo. Jamais!
Em pleno século XXI, as mulheres são reféns da sociedade. Se nos envolvemos com vários homens durante nossa vida, somos “fáceis”, “piranhas”, “safadas” etc. Se os homens tiveram vários envolvimentos durante a vida, são “pegadores” e passam a ser mais respeitados pelos amigos. Por que eu deveria ser “difícil”? O que faz levar um homem a pensar que eu devo negar a mim mesma o direito de transar?
O que eu ganho com isso? Ah sim, eu ganho um título de “mulher para casar”! Ainda somos rotuladas, como meros objetos, em “para casar” e “para curtir”. A lógica dessa divisão está em: mulher boa é mulher que se nega a transar. É muito cômodo aos homens acreditar que o sexo é algo só para eles, assim as “esposas” fazem de tudo para satisfazê-los enquanto eles não precisam se preocupar com o prazer delas.
Somos tratadas como as bonecas infláveis da sociedade. Não podemos gostar nem gemer, pois seremos “putas”, muito menos nos negar a transar com nossos “donos”. Eles têm suas “necessidades” e nós temos de servi-los.

                                                                      
Curtam no Face fb.com/diariosemhipocrisia
Curta no botão abaixo.

Diário sem Hipocrisia Copyright © 2013 - Todos os Direitos Reservados